A relação entre o homem e o cosmo

As tatuagens de mandala são imagens simétricas, inspiradas em rituais de budismo e hinduísmo.

O seu padrão geométrico circular simboliza o equilíbrio, a harmonia e o infinito cósmico.

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A palavra mandala vem do sânscrito e significa círculo.

A mandala tem a aparência de um yantra (instrumento, meio, emblema)  e é a representação entre o Homem e o Cosmo.

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Estes projetos geralmente são retratados em forma de flores circulares, compostas por pétalas e padrões simétricos.

A mandala pode integrar outros elementos simbólicos, tais como o lótus, o hamsá ou as borboletas.

A sua origem remonta ao século VIII a.C., sendo usada como instrumento de concentração e também para atingir estados superiores de meditação, sobretudo no Tibete e no budismo japonês.

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Por muito tempo, a mandala foi usada como representação artística e religiosa, através de:

  • pinturas rupestres
  • no símbolo chinês do Yin e Yang
  • nos yantras indianos
  • nas thangkas tibetanas
  • nos rituais de cura
  • na arte indígena
  • na arte sacra de vários séculos

Pela sua forma circular, as tatuagens intrincadas de mandala são maioritariamente colocadas no ombro, nas costas ou nos braços e, por norma, tatuadas apenas com tinta preta.

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Segundo a religião Budista, cada pessoa deve ter a sua própria mandala, construída por si.

A sua execução é feita através de intensa meditação, onde o iniciado idealiza o seu esboço por partes, numa estrutura tridimensional.

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A mandala é desenhada numa plataforma, com areia colorida, com início no centro (que é o principal e representa o palácio celeste), e finalizada no exterior.

Ao concluir a mandala, após algumas cerimónias, a areia é atirada ao rio para que as bênçãos se espalhem.

Este processo simboliza que o desapego dos bens materiais, por serem impermanentes.

Um monge só está preparado para criar sua mandala após três anos de estudos, focados na filosofia e artes.

No Tibete, a mandala representa o universo espiritual e material, também utilizado na meditação.

No centro da mandala tibetana, caracterizada pela energia do cosmos, as divindades budistas, Hevjara e Nairatman vivem num palácio.

No quadrado, há quatro passagens que traduzem a gentileza, a compaixão, a serenidade e a simpatia.

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Os monges tibetanos acreditam que as mandalas de areia coloridas possuem efeitos curativos e energéticos.

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Borobodur é o maior templo budista, construído nos séculos VIII a IX, na cidade de Java, em forma de mandala, simbolizando o cosmos e o caminho do esclarecimento.

Composto por um círculo, circundado por um quadrado e voltado para os quatro pontos cardeais, este monumento é decorado com quinhentas e quatro estátuas de Buda e mil quatrocentos e sessenta painéis, que representam histórias budistas.

Carl Gustav Jung relaciona as mandalas à simbologia universal do círculo e da representação simbólica da psique, com as funções de:

  • conservação da ordem psíquica
  • tomada de consciência
  • integridade
  • criação

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